sábado, 5 de maio de 2012




Teu Olhar, Cap I

Eu me apaixono fácil, admito. Mas nunca me apaixonei pelo primeiro garoto que sentou do meu lado na oitava série. De algum modo, sempre gostei dos mais velhos. Talvez visse neles mais maturidade. Nunca me atraiu garotos da mesma idade, com cara – e mentalidade – de criança. Eu sentia certo... desprezo. E na busca por essa maturidade perdida, acabava me apaixonando pelos professores. Não por um professor, por todos os bonitos. Novos, vinte e poucos anos.
Que sabem como conversar e convencer uma garota.
Nunca sabia como dizer, aliás, o que dizer? Que eu achava ele lindo? Quanta ingenuidade. Ele riria de mim, sem jeito. Como dar um fora numa garota de tipo, uns oito anos mais nova? Ele poderia ter qualquer garota gostosinha da balada. Eu era uma aluna, mais uma apaixonada na sua beleza de algum deus grego. Estava claro que era apenas uma relação mantida dentro de sala de aula, eu, ele e a matemática. Biologia, física, gramática, seja o que for. Ele era um professor. Mais velho e experiente. Eu sentia falta disso em cada par de olhos daquele colégio. Nenhum dos garotos do ensino médio mostravam a sabedoria de um cara mais velho. Nem os do terceiro ano, seja lá quem fosse. Nem o mais experiente, mais macho e mais pegador.
Sempre fui ótima aluna. Em todas as matérias. Até que um dia apareceu um professor novo. Novo no colégio, novo na minha lista. Literatura, minha matéria preferida. Felipe, anotei o nome no caderno. A empolgação com que ele falava de romantismo, me fazia acreditar mesmo em amor. E pior, me fazia pensar num romance eu e ele. Não me importava os oito anos de diferença, se ele não estivesse ali trabalhando, ele poderia ser confundido com algum garoto do terceiro. Mesmo que fosse só por aparência essa confusão, porque ele era exatamente o cara ideal ali, em barrocos e romances. Me inspirando a fazer o que mais amo – escrever. Ficava imaginando mostrar todos meus textos, poemas e romances, apenas pra passar alguns minutos a sós, enquanto ele sorria para o papel.
Era possível ouvir os suspiros de absolutamente todas as garotas. As mais bonitas e as mais nerds. Esse fato incomodava até os garotos mais seguros de si. Comparados ao Felipe, eles não eram nada. Mesmo que tivessem o olho de uma cor indefinida, músculos razoáveis e o sorriso mais encantador de todos. O que me fascinava naquele cara era que sua perspectiva de mundo ultrapassava as aparências. Ele tinha muito mais no caráter, na simpatia e no modo como sorria.
Ele era definitivamente, tudo o que eu sempre desejei.
Tudo que eu sempre precisei.
Continua

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